os quadrados da avó zulmira na lã das montanhas da avó lucinda | granny zulmira’s squares in granny lucinda mountain’s wool

Estou a começar a gostar mesmo de fazer croché. Mas dizer que se gosta mesmo de fazer croché não é dizer que se gosta mais de trabalhar só com uma agulha para trás e para a frente, do que com as duas ou cinco agulhas do tricô. Até porque eu continuo a adorar o tricô. E também não tem nada a ver com o tamanho das peças ou dos projetos, pelo menos para mim.
A razão é que há um sentimento é muito diferente quando reproduzimos padrões e gestos que vimos serem feitos pelas nossas avós ou pela nossa mãe. Primeiro é aquela adrenalina de se estar a conseguir, sim, o que no meu caso é bem forte, porque nunca cheguei sequer a aprender. Lembro-me de fazer cordões infindáveis e de ir inventando os paus, enquanto a minha avó lucinda avançava à grande, com um fio super fino, nas suas colchas e naperons. Era o nosso serão a duas. Já com a minha avó zulmira nunca fiz. Nem croché nem tricô.
Segundo, é a realização de um motivo que fez parte da casa, da paisagem, sei lá, dos olhos. É que a avó zulmira usava as peças feitas, usava mesmo. O croché vivo era o dela. As colchas e os naperons da avó lucinda ficavam guardados ou então eram prendas para alguém que os haveria de guardar também.
Do croché da avó zulmira conheço o xaile roxo, feito de pequenos leques ou pestanas (acho que o nome do padrão é pétala), que ainda tenho. E usei-o muito naquele perído da adolescência em que só vestia preto-roxo-vermelho. E conheço a manta aos quadrados: uma manta que tapou-decorou a minha cama durante séculos. Não a tenho fisicamente, mas lembro-me de todas as cores e combinações. Eram os tais quadrados, que vejo descritos como ‘nanny’ qualquer coisa e que para mim são os quadrados da avó zulmira.
Este fim de semana a minha mãe ensinou-me a fazer estes quadrados. Emprestei-lhe um resto da Malabrigo que me sobrou dos dois pares de luvas e luvas do mês passado e ela fez, num ápice, sem precisar pensar, porque os gestos lhe vinham mesmo do coração e da alma. Fiz e refiz, fiz e refiz. E para juntar as duas avós neste meu momento, fui buscar os novelos de Beiroa. Perfeito. Os quadrados da avó zulmira na lã das montanhas da avó lucinda. Isto é que é um projeto tradicional, pessoal, intimista como mais nenhum que eu tenha feito até hoje.

vickie

Adoro enrolar-me na Beiroa. E descobri que gosto mais do verso do que da frente dos quadrados.

frente       verso

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6 thoughts on “os quadrados da avó zulmira na lã das montanhas da avó lucinda | granny zulmira’s squares in granny lucinda mountain’s wool

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