o algodão | what’s wrong with cotton yarn?

Há mais de um ano atrás, andei à procura de fotografias e vídeos que mostrassem como se faz roupa de algodão. Do início até ao fim do processo. Era para mostrar aos meus filhos. Mas desisti da ideia. Tudo o que encontrei era horrendo, assustador e deprimente. Grandes plantações, uma forma de explorar a terra o menos sustentável que se pode ser. Tratores e maquinaria afim a recolher o algodão. Os donos e os responsáveis pela colheita a pensar em tudo menos na terra ou na importância do produto final. E pior ainda vinha a seguir. Montes e montes de módulos de algodão, crianças, mulheres, homens a trabalhar de forma tão miserável, a acartar os montes de um lado para o outro, a sufocar no meio daquela matéria, e tudo e tudo até chegar… às fábricas, bem longe, noutro lado do mundo, as tinturas, os rios sem nome às cores e. Puff. Vou parar por aqui.
*A year ago, I searched for photos and videos about cotton clothes. From the very beginning till the end, the whole cycle. I wanted to show them to my kids. Soon I gave up, though. Everything I saw was horrifying, scary, ugly, and pretty depressing.  Huge plantations, the least sustainable way of cultivating the earth. Big machinery harvesting. Owners and workers caring the least for the earth or our handmakers energies and feelings. Actually, the worst followed. Forever growing modules of cotton mass, children, women, men, working so miserably, carrying it all from one place to another, choking in middle of all the dust, and… there came the plants, somewhere on the other side of the world, the rivers whose name we don’t know coloured every minute and. Wow. Better shut up.*

pergunta01

*where did the cotton come from?*

Olhei para os novelos de algodão que tinha em casa, da Rosários4. Empresa portuguesa, ok, mas… de onde vem o algodão? Nada como perguntar à própria empresa. “O algodão que utilizamos é comprado cá em Portugal, sendo que a origem varia de lote para lote. Como a fiação do algodão não é feita na Rosários 4, ele é adquirido já em fio (é o fornecedor que adquire a fibra e não temos os dados de origem). Do conhecimento que temos, muito algodão vem do Egito.” – esta foi a resposta.
*Looking at the yarn skeins at home, Rosários4, I wondered. Portuguese brand, okay, but… where did the cotton come from? Just asked to Rosários4. “The cotton we use is buyed here in Portugal, while the provenience of each lot may vary. Since the cotton spinning is not made by Rosários4, and the cotton is bought already as yarn (our supplier buys the fibers and we don’t know where the fibers come from). As far as we know, a lot of cotton comes from Egipt.” – this was the reply.*

Uma breve e superficial pesquisa em jornais em linha mostra-me que o algodão do Egito é conhecido como de melhor qualidade, sobretudo devido ao seu tamanho mais longo e à sua maior resistência (leiam aqui e aqui e leiam este blogue também). A mesma breve pesquisa revela igualmente que, para não variar, existe um exército de exportadores de matéria prima concorrente mais barata: a China, a Índia, o Paquistão, o Bangladesh, os Estados Unidos da América e o Sudão.
*A quick and lightreading research on online publications shows that the Egipt cotton is known as one of the best, its high quality derives specially from the extension and the resistence of the fiber (read about it here and here and see this blog too). The same search points out that, as usual, there is a whole mighty army of cotton exporters with top down prices: China, India, Pakistan, Bangladehs, US and Sudan.*

Curiosamente, uma das (muitas) razões para o preço mais baixo é a mecanização da colheita. E mais curiosamente ainda uma das condições necessárias à mecanização da colheita é o recurso a sementes geneticamente modificadas. Hum… lá estou com as conspirações do costume? Não, isto sou só eu no meu estado normal, consciente da História das Coisas. Sim, estou a falar do projeto Story of Stuff. Por exemplo, basta ver este vídeo para ficar com empenhado em mudar, não?
*Actually, one of the (many) reasons for the low price is the machinery made harvest. Furthermore, one of the necessary premisses for the machinery made harvest is the use of genetically modified organisms. Hum… again with the usual conspiracy theories? This is just me thinking about the Story of stuff… yes I mean the Story of Stuff project. Don’t you want to change things when you watch a video like this one?*


LOL. Continuo a comprar. Mas não é o mesmo que com as malhas de lã portuguesa que uma amiga e eu vamos documentando aqui. A incógnita não desaparece. Apesar disso, as etiquetas até alimentam um certo conforto temporário.
*LOL. I keep on buying. But it is very different from having Portuguese wool yarns in your hands – just like we, a friend and myself, are showing here. The doubt does not vanish. Despite the temporary confort brought by the labels.*

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O For Nature. Fibras Naturais. E é de algodão orgânico.
*For Nature brand. Natural fibers. More, the cotton is organic.*

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O Lisboa. Fibras naturais. E uma coleção ecofriendly. O que quer que isso signifique.
*Lisboa brand. Natural fibers. And an ecofriendly colection. Whatever that means.*

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O Woolyboo. Fibras naturais.
*The Woolyboo brand. Natural fibers.*

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O Venezia. Fibras naturais.
*The Venezia brand. Natural fibers.*

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O Bio Bamboo.
*The Bio Bamboo brand.*

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(Falta-me aqui o Ecotton, da mesma empresa. Algodão orgânico. E tal. Tenho um novelo, que usei e desmanchei já por duas vezes, mas a etiqueta, bom… deve estar muito bem guardada.)
As imagens/símbolos sofisticados que sugerem o contacto com a natureza, o princípio do respeito ecológico, são isso mesmo sugestões. E um “Bio” no nome da marca ou uma coleção apelidada de ecofriendly, confesso, não me deixam totalmente convencida. Muitos anos a fazer análise do discurso…
*(There’s another one, Ecotton, by the same Rosários4. Organic cotton and so on. I have a skein, which I knitted and unknitted twice, but the label is packed up somewhere.)
The images/symbols are very sofisticated and suggest the contact with nature, the principle of ecological respect, but these are mere suggestions. And having a “Bio” or an “ecofriendly” name, blame it on me, but all this does not persuade me. Too much discourse analysis…*

Termino com uma ideia simples. Como qualquer outro produto que compramos, as malhas deviam ter a sua composição e origem descritas de forma completa. Tipo os ingredientes. Que me interessa o certificado da empresa se não sei que raio de algodão é este?
*I finish with this. The yarn labels should be like all the other product labels we buy and should identify the composition as well as the origin of the stuff. Something like the ingredients. What do I care about a ISO certificate and that, if I don’t know what cotton is this?*

Uma versão mais pequena (e porventura um pouco menos cética) está publicada no projeto com malhas portuguesas nas mãos.

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3 thoughts on “o algodão | what’s wrong with cotton yarn?

  1. Está bem visto. Existem alternativas muito interessantes aqui nos Estados Unidos. A mais famosa são os algodões da Sally Fox que incentiva o uso das cores naturais do algodão. Mas há também vários novos empreendedores no Texas. Realmente se vamos passar tanto tempo a tricotar vale a pena investir numa boa matéria prima.

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  2. Pingback: projeto novo | new project |

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