dicas sobre tricotar meias 3/3 | sock knitting tips 3/3

IMGP2055IMGP2056

Ainda se lembram que eu andava a tentar escrever dicas sobre umas meias muito especiais? Então vamos lá ao post 3, o último. (Nota: isto só tem interesse para quem anda/andou/vai andar a tricotar meias. A sério, se não for o caso, não leiam, é secante.)

Trabalhar o cano (ou perna) da meia é relativamente fácil. Quando, começando pelo topo, e já montamos as malhas necessárias e já fizemos a barra em canelado ou em bicos, tudo com o fio da cor principal, damos início ao trabalho com o padrão da concha. Alternando entre os dois fios, conforme explica o padrão do livro, seguem por aí fora até àqueles dois momentos fatídicos em que é preciso fazer a traseira do calcanhar e a base do calcanhar.

Mas, de repente, o mundo treme. Separar malhas, pôr malhas de parte, depois de tantas voltas feitas em círculo. Agora vamos trabalhar em malha plana. O quê!!!? Vamos por partes.

ilustracao_02

Aquele momento em que começamos a traseira do calcanhar. Como se lê nas instruções das meias da concha (e tal como as que estou a seguir para o meu projeto mais recente – as meias da Retrosaria), agora trabalhamos apenas metade das malhas e de forma plana.

No caso da receita das meias da Retrosaria,  que estamos a seguir em grupo nos Amigos do Gang da Malha de Leiria (ainda estamos certo???), lê-se tricotar as primeiras 15 malhas. E vem a pergunta: porquê começar por tricotar as primeiras 15? Porque não 30? (Assim acontece no padrão das meias da concha do livro Malhas Portuguesas.) Afinal, íamos trabalhar metade das malhas montadas inicialmente, não era? Era, pois era, mas a ideia aqui é a seguinte:

  • A marca de início de volta vai ficar no meio das malhas que trabalhamos nesta parte da peça.
  • Portanto, trabalhamos 15 malhas (metade da nossa 1ª carreira) e viramos o trabalho, e trabalhamos 30 malhas (a nossa 2ª carreira).Depois, continuamos até fazer 30 carreiras (15 do direito e 15 do avesso).
    Assim já faz sentido? No caso da foto que escolhi para ilustrar este passo é muito mais rápido e inclui muito menor número de carreiras – é um tamanho de criança pequena. Serve esta foto para ilustrar o lugar da marca  de início/fim de volta – assinalado com o rabisco.

ilustracao_post3

Com as 30 carreiras que acabamos de fazer, damos altura à traseira do calcanhar. Tanto no padrão das meias da concha, como no das meias da Retrosaria, são indicadas estas 30 carreiras. Igual porquê? Porque é para o mesmo tamanho de adulto.

Agora, o momento em que começamos a base do calcanhar.é necessário reduzir o número de malhas. Vamos moldar o calcanhar e trabalhamos a partir do centro, como antes. E aqui surge outra pergunta: 5ML, 6ML?… Não haverá aqui alguma gralha? Começamos com 16ML na carreira 1 e, logo a seguir, na carreira 2 vamos fazer 5ML? Sim, está tudo ok  na receita para meias da Retrosaria.

  • A carreira 1 é a apenas a preparação, quer dizer, estamos ainda a colocar-nos no centro da traseira do pé. Depois começamos as reduções a partir deste ponto central, ora para um lado ora para o outro lado, consoante o sentido de cada carreira. É estranho, mas genial.
  • E quando a receita nos diz: “Continuar da mesma forma….” Então quantas carreiras são ao certo? É que na receita das meias da concha temos todas as carreiras, passo a passo, maravilha!…
  • Resposta: são 12 carreiras: Carreira 4 – trabalhar 7M. Carreira 5 – trabalhar 8M. Carreira 6 – trabalhar 9M. Carreira 7 – trabalhar 10M. Carreira 8 – trabalhar 11M. Carreira 9 – trabalhar 12M. Carreira 10 – trabalhar 13M. Carreira 11 – trabalhar 14M. Carreira 12 – trabalhar 15M.

IMGP2057

Esta imagem mostra-vos o triângulo que é construído neste passo – é esta a base do calcanhar.

  • E chegamos ao momento de montar malhas em cada um dos dois lados da “traseira do calcanhar” e depois seguir para as diminuições.

 

Depois de montarem as malhas, o vosso trabalho com este aspeto engraçado:

IMGP1969

Bom, eu adoro tricotar meias. Mas confesso que explicar e escrever sobre isto já não é assim tão divertido. Espero, porém, ter conseguido ajudar naqueles dois momentos… e reforçar a ideia de que nestes passos concretos as instruções que tenho seguido (a das meias da concha do livro Malhas Portuguesas e a das meias da Retrosaria) não têm nenhuma gralha. E funcionam mesmo na perfeição!

Tão bem que já consegui fazer num outro tamanho, versão 2 anos. E ficou o máximo!


E vocês? Já tricotaram meias? Como correu? E gostaram deste post – foi útil? Ajudei?

 

 

Advertisements

2 thoughts on “dicas sobre tricotar meias 3/3 | sock knitting tips 3/3

  1. Olá, boa tarde. Muitos Parabéns pelo blog, estou a adorar explorá-lo! As meias da concha trouxeram-me aqui porque também as estou a tentar executar. Tenho dúvidas no padrão do cano da meia: é normal que as malhas passadas fiquem com um ar “repuxado”? Peço perdão pelo termo mas não encontro outro melhor. Quando estava a fazer o padrão achei que as malhas passadas ficavam feias e muito visíveis, ao contrário das suas meias e as do livro. Será porque estou a usar umas agulhas mais grossas? Muito obrigada pela ajuda.

    Liked by 1 person

    • Olá Sara. Obrigada pela pergunta! ((Tenho pena de ter andado com tão pouco tempo para o blogue…)
      Posso retribuir a pergunta? E quão grossas são as agulhas e o fio que está a usar? Eu usei o Noro Sock Kureyon que é indicado para 2.5mm e as agulhas assim eram, de 2.5mm.
      Respondendo. Por um lado, parece-me natural que uma maior espessura de fio possa ter influência na aparência final deste tipo de trabalho. Aliás, como a própria Rosa afirma no livro, a técnica de “passar malhas” é mais aconselhada com fios mais finos.
      Por outro lado, é possível que a Sara tenha tendência para apertar (ou puxar) mais o fio. É aquilo a que os especialistas designam tensão – algumas pessoas (ou melhor, mãos) são naturalmente mais puxadoras ou tensas e outras são tendencialmente menos. No meu caso, confesso que sempre tive tendência para apertar muito, para ter o fio muito sob controlo e que, aos poucos, fui aprendendo a deixar o fio mais lasso. E, no caso particular deste trabalho, mentalizei-me que tinha de deixar um poucochinho de fio. Uma vez que é do avesso, não há stress. Acrescento ainda que nisto me ajudou muito o crochet. Pois nos trabalhos de crochet não posso mesmo apertar (como é minha tendência natural) e isso “domesticou” um pouco a minha mão. Ou, pelo menos, eu acredito que sim…
      Bom tricot e boas leituras!
      😀

      Like

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s